Ir para o conteúdo

A transformação como função

A transformação é uma função, não um projeto

Projetos terminam; a necessidade de mudar, não. Por que as organizações que continuam evoluindo tratam a transformação como uma função permanente.

Da equipe · Processos de negócio · · 5 min de leitura

Uma diretora aponta para um storyboard cujos esboços estão ligados em ciclo, enquanto duas pessoas o estudam da mesa.

A maioria das organizações muda seus sistemas do mesmo jeito. Alguém defende a necessidade de um projeto. Um orçamento é aprovado, uma equipe é montada, um fornecedor é escolhido e uma data de entrada em produção vai para o calendário. A equipe trabalha duro, o sistema entra no ar e o projeto é encerrado. As pessoas que entendiam o trabalho seguem para outras coisas.

Depois, a organização continua mudando. Uma nova linha de produtos exige uma nova etapa de aprovação. Uma regulamentação muda o que precisa ser registrado. Duas equipes se fundem, mas suas planilhas não. Nada disso espera pelo próximo projeto e, ainda assim, a capacidade de responder foi embora com o anterior.

Esse é o padrão por trás de boa parte da frustração com tecnologia. O problema raramente é que o último projeto fracassou. É que o modelo de projeto trata a mudança como um evento, quando, para a maioria das organizações, a mudança é uma condição permanente.

Por que o modelo de projeto continua decepcionando

O modelo de projeto foi pensado para trabalhos com começo e fim claros: construir um armazém, mudar de escritório, instalar uma máquina. Essas coisas ficam prontas quando ficam prontas. O software que faz uma operação funcionar nunca fica pronto nesse sentido. Ele está no meio do trabalho, e o trabalho não para.

Quando um sistema é entregue como projeto, três coisas costumam acontecer depois que o projeto é encerrado.

  • O conhecimento se dispersa. Os motivos por trás do desenho, os casos especiais que a equipe descobriu, as concessões que foram feitas: quase tudo isso vivia em pessoas e reuniões. Quando a equipe se desfaz, a organização fica com o sistema, mas perde o entendimento sobre ele.
  • As pequenas mudanças se acumulam. Cada pedido é pequeno demais para justificar um novo projeto, então fica esperando. Enquanto isso, as pessoas contornam a falta com uma planilha, uma mensagem ou uma checagem manual.
  • O sistema se afasta do trabalho. Mês após mês, o jeito como a organização realmente opera se distancia do jeito como o sistema espera que ela opere. O projeto seguinte começa, então, redescobrindo o que o anterior já sabia.

Nada disso é culpa de alguém. É o que o modelo produz.

Como é uma função

As organizações já sabem lidar com um trabalho que nunca termina. O financeiro não fecha as contas uma vez e se dissolve. O jurídico não para de revisar contratos depois do primeiro. Essas são funções: responsabilidades permanentes, conduzidas por pessoas que ficam, com memória do que veio antes e uma capacidade estável para lidar com o que vem depois.

A transformação pode funcionar do mesmo jeito. Tratá-la como uma função significa algumas coisas concretas.

  • Alguém é responsável de forma contínua. Existe um responsável nomeado, que responde por como os sistemas da organização evoluem, e não só pela próxima iniciativa.
  • A capacidade é estável. Em vez de montar uma equipe para cada projeto e desfazê-la depois, existe uma capacidade contínua que passa de uma necessidade para a seguinte à medida que as prioridades mudam.
  • A memória é preservada. Decisões, contexto e restrições ficam registrados onde a próxima pessoa possa encontrá-los. Ninguém precisa reconstruir por que o fluxo de aprovação funciona do jeito que funciona.
  • A mudança é contínua. O ciclo de entender uma necessidade, moldar uma resposta, construí-la, verificá-la, implantá-la e fazê-la evoluir se repete muitas vezes, no ritmo de que a organização precisa.

Três mudanças na prática

Passar de projetos para uma função tem menos a ver com organogramas do que com hábitos. Pela nossa experiência, a mudança aparece em três lugares.

De entregas para capacidade

Um projeto é descrito pelo que vai entregar. Uma função é descrita pelo que consegue assumir. A pergunta passa de “quanto vai custar construir isto” para “em que a nossa capacidade deve trabalhar agora”. Isso permite resolver as pequenas coisas que nunca justificaram um projeto e mudar de direção sem abrir um novo processo de compra.

Da passagem de bastão para a continuidade

No modelo de projeto, o momento mais arriscado é a passagem de bastão: de quem desenhou o sistema para quem o opera, ou de um fornecedor para o seguinte. Uma função elimina a maioria dessas passagens, porque a mesma equipe conduz o trabalho da primeira conversa até a operação, e de volta. O que ela não consegue eliminar, ela registra.

De grandes entregas para evolução constante

Quando a mudança é cara para começar, as organizações a acumulam e a entregam em grandes lotes. Grandes lotes são mais difíceis de testar, mais difíceis de explicar e mais difíceis de desfazer. Uma função permanente consegue fazer mudanças em passos menores, cada um compreendido, verificado e explicado às pessoas que ele afeta.

O que isso pede dos líderes

Uma função não dispensa gestão. Ela pede que os líderes decidam algumas coisas de forma deliberada.

Primeiro, quem é responsável pela evolução dos sistemas da organização e como essa pessoa é apoiada. Segundo, como a capacidade contínua é definida e revista, para que continue proporcional à ambição. Terceiro, como as prioridades são escolhidas, porque uma capacidade que pode assumir qualquer coisa vai ser chamada a assumir tudo.

Ela também pede um tipo particular de paciência. Os benefícios de uma função são cumulativos. Eles vêm do conhecimento que fica, de problemas resolvidos enquanto ainda são pequenos e de sistemas que continuam correspondendo ao trabalho. São mais fáceis de ver ao longo de um ano do que de um trimestre.

Onde a Croo entra

Criamos a Croo em torno dessa ideia. Seu Croo é uma equipe que fica ao lado da organização: uma pessoa na sala que conhece a sua operação e, por trás dela, as disciplinas que o trabalho exige, de processos de negócio e arquitetura a engenharia de software, finanças e governança. A Factory dá a essa equipe uma memória compartilhada e um sistema de produção, para que cada mudança se apoie na anterior em vez de começar do zero.

A relação funciona com uma capacidade contínua, e não com uma sequência de projetos. Não é uma licença de software nem um trabalho pontual. É uma forma de fazer da transformação algo que a organização conduz continuamente, sem precisar construir um departamento inteiro próprio.

Os projetos continuarão tendo seu lugar. Algumas mudanças são grandes o bastante para merecer um nome, um plano e uma data. Mas, quando o projeto termina, a função não deveria terminar. A organização vai continuar mudando. Sua capacidade de mudar deveria ficar.

Continue lendo

Todas as perspectivas

Você não precisa ter tudo definido.

Conte como sua organização funciona hoje. Podemos começar por aí.

Iniciar uma conversa